Ah, maldita Fada Bêbada!! Ela , com muita propriedade, avisou que faria mandinga, macumba, reza forte ou qualquer mentalização que me mantivesse bastante ocupada aqui no mundo das coisas e totalmente afastada do blog. Tudo porque não lhe dei a palavra numa última postagem. Pois a tinhosa amarrou umas duas fitinhas do Bonfim na "cintura" da Sofia (a lagartixa que ela cria no armário da cozinha) e eu fiquei todos estes dias distante... Prontamente, amarrei três fitinhas no meu tornozelo direito ... E voltei - mais assídua e enfeitada que antes! Enfeitada, sim, com minhas fitas coloridas (e ainda correndo o risco de realizar três desejos, sem gênio nem nada! Afinal, para cada fita quebrada naturalmente... um desejo realizado!).
Conta a lenda que pedido não se revela antes de alcançado... Então, vamos para além da lenda, onde existe um pote cheio de moedas de ouro nos esperando e onde se pode contar (quase) tudo. Este lugar existe, sim, e é onde se contam os causos fortuitos desta que aqui vos fala (escreve). Então, vamos aos pedidos: O primeiro nó (que apertei muito fortemente na fitinha vermelha) devotei à campanha presidencial. Pedi para que o nível das "polêmicas", ao menos estanque, e pare de se lançar ao pó como bolinhas de papel ao vento. Veio o segundo nó, e este eu precisava destinar à Fada Bêbada. Que Papai do Céu a tutele em seu mais novo distúrbio de consumidora inveterada de vouches de descontos on line! Basta ver um anúncio de 80% de desconto, que ela empina o cartão de crédito. Já comprou, de adesivos para paredes a aulas de ballet (ela que odiava dança!). Eu não deveria me importar com ela, mas o amor que a vejo devotar àquela osga de cozinha me comove... No terceiro nó, numa fita verde-musgo, mentalizei Santo Expedito e pedi que afaste do coração dos homens a ânsia por DRs. Sim, pasmem, crianças... Eles aprenderam e agora vivem querendo discutir a relação - pouco importa se esta já acabou ou nem começou! Deve ser algum tipo de vingança....Aviso às (aos) navegantes: o gosto exacerbado por DRs é encontrado, com maior frequencia, em machos do tipo beta. Então, mais que nunca, meninas, muita atenção ao rótulo!!
Pois assim passei estes dias de compulsivo afastamento do blog: Fitas amarradas, nós cegos e facas amoladas em punho, porque cana é doce mas só depois de devidamente descascada!
Querem-na dócil, etérea, virginal, maternal... e ei-la Fada! E ei-la profana sim, tacanha sim, marginal, vaginal... ébria porque tropeça em seus saltos e assaltos de rompante. Bêbada no estranhamento de mundo que é entranhamento de força e fragilidade. Fada Bêbada então!
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Oração de Lua
Vocês sabem que, em respeito aos leitores alérgicos a poesia, eu nunca posto uma única sem antes avisar. Hoje, entretanto, não vou acionar o “alerta-poesia” porque se trata apenas de uma oração à lua... A Deusa Lua das mulheres Incas, suas sacerdotisas.
Hoje eu caminhava rumo à praça central, muito despercebida de tudo...Quando, em meio às bancas de pastel, cujo cheiro despertava os mais recônditos sonhos de minhas celulites, dei falta do celular. Passado meio segundo de desespero, tomou-me uma onda de liberdade... Uma consciência de plenitude que só devo ter tido algum dia n´alguma sessão de massagem ayurvédica! Naquele momento eu tomava pra mim uma tal liberdade emprestada a todos que me podiam chamar a qualquer instante num único toque polifônico! Olhei pra os lados porque tudo, de repente, estava à minha volta e queria ser, realmente, visto. Olhei pra cima e me deparei com uma lua insistente. Insistente porque era tarde ainda, mas dessas tardes que não intimidam lua... Tinha cara de lua crescente e parecia rir da minha recém descoberta de ser humano ante, durante e pós celular! O ônus desse esquecimento: perdi um trabalho! O bônus....? Foi tão bom!!! Eu recomendo!
Oração de lua
Palavras de lua são preces vestidas de branco
Ela, a bruxa de cetim!
Atirar-lhe-iam pedras, talvez
Ou fagulhas das fogueiras
Mas ela , distante se ria e ia e vinha...
Então os cães passaram a uivá-la
E os loucos a ouví-la
E os amantes...emprenham-se-lhe ainda nas noites
E, novos,
Crescem,
Enchem,
Ajoelham-se e rezam
Para que nunca se deite à míngua
O santo manto de luz
A Fada Bêbada ta aqui do meu lado se roendo, roxa de raiva porque queria postar e eu não vou deixar. Ela está muito irritada com minha postagem brega (palavras dela). Diz que a qualidade da poesia já abandonou, há tempos, a categoria de “duvidosa”... Mas o blog é meu e hoje ela não vai postar coisíssima nenhuma! Ela que se acalme, vá buscar a lua pela sua janela... E amanhã... Quem sabe...
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
O belisco
Vejam vocês como esta vida é toda torta... Cá eu fico escrevendo poemas, "causos"... Todos de alguma forma referentes à situação feminina, à ótica feminina... E eis que uma minha poesia acaba de ser selecionada para publicação pelo Sindicato dos Bancários da Bahia no Prêmio de Poesia Elisa Lucinda... Até aí tudo certo. O curioso é que a poesia selecionada fala justamente sobre pinto, pênis, bilau, cacete (e paramos por aí porque vocês já entenderam sem que eu precisasse continuar a descer o nível... ou a subir - a depender do ponto de vista...).
E alguém, muito maliciosamente, sugeriu que estaria faltando "culhão" no que escrevo... Vai ver que é por aí...
Então, a pedidos, e pra não dizer que não falei de flores... Falo, pois! Eis que FALO e pronto! Com vocês "Obelisco":
Digam aos homens que estou nas esquinas
às mulheres, que espero
aos meninos, que durmo.
E se não disserem nada, então estarei sentada
no canto da sala vazia
no meio da rua deserta
Estarei deserta
E serei tão crua como toda carne
Tão boca como um sorriso doído e preso.
Se não disserem,
Falo
Às mães sem filhos
Aos homens dos meninos
Aos que queriam não querê-lo ter.
Calo.
Pisado e batido
E calo pela boca cheia.
P.S - Achei mais recomendável não postar foto hoje!!
domingo, 26 de setembro de 2010
Com doçura e com dendê
Receita de Caruru:
100 quiabos
1 xícara de castanha de caju
100 g de amendoim torrado e moído sem casca
2 xícaras de camarões defumados, descascados e moídos
2 cebolas grandes
2 xícaras de azeite de dendê
3 limões
2 colheres de sopa de sal
4 xícaras de água quente
pimenta
gengibre
alho
1 xícara de castanha de caju
100 g de amendoim torrado e moído sem casca
2 xícaras de camarões defumados, descascados e moídos
2 cebolas grandes
2 xícaras de azeite de dendê
3 limões
2 colheres de sopa de sal
4 xícaras de água quente
pimenta
gengibre
alho
O modus operandi da iguaria ainda não desenvolvi. Sei que hoje é dia de caruru na minha velha Bahia e eu estaria picando quiabos, se lá estivesse, para que uma boa baiana fizesse o enorme panelão e chamasse, depois, sete meninos que se lambuzariam na panela de barro! Mas apesar de autêntica, minha baianidade se limita ao estado de apreciadora inveterada da culinária do dendê, afinal, nem todo cão que não ladra morde, nem todo bigode é de gato e nem toda baiana é tão boa quanto sugere sua africanidade! Então, resta-me, ao menos,distribuir doçura... Que venham, pois, os meninos se empanturrar de bombom...Mas erê que não se comportar não ganha doce!!! E depois eu me acerto com Cosminho e Daminhão...
TECLA SAP para os não baianos: Dia 27/09 é dia de São Cosme e Daminhão, que no sincretismo, representam os erês, ou seja, as crianças no Panteão afriano.
A oferenda para os erês é, pois, muito doce e faz-se o tradicional “caruru de Cosminho” porque na Bahia, quem nasce em setembro não faz aniversário, faz caruru!!!
sábado, 25 de setembro de 2010
Mãe Véa
É uma mãe preta velha
Cheia de uns filhos idos e vindos
Que nunca vão.
Uma preta com seus muitos guizos
E risos largos.
Mãe véa mandigueira
Que se me amarra ao destino dos santos
Num doce e mole quebranto
No banzo dos orixás
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Ares Primaveris
Segundo dia da primavera... Estação bonita, boa pra se nascer – os outros signos que me perdoem! Os nativos de libra costumam ser propensos a querer fazer justiça a todo custo (o que, a princípio, os torna idealistas e eternos adolescentes), são aspirantes das artes e costumam viver mais nos ares que em terra firme! Mas são gente boa – como costuma ser a galera do resto do zodíaco! E, astrologias à parte, outro dia eu conversava com a Fada Bêbada, que me confessou certo cansaço. Cansada de fazer caras e bocas, de estar sempre bonita – ou tentar! Cansada de se apaixonar perdidamente, mas controlar-se para não assustar o (in?)felizardo de seus desejos, porque, segundo ela, os rapazes andam muito temerosos ultimamente. Temem o compromisso, mas também mulheres muito decididas que os chamam na chincha e os fazem brochar – quase sempre... Cansada de escova progressiva, de votar no PT, sem o velho entusiasmo... Então, no meio de um gole e outro de gim – neste dia ela estava completamente out, decidiu que, apesar de ser canceriana e pouco afeita a rompantes, incorporaria os ares librianos e votaria em Marina, apesar do PV (Partido Vendido – palavras dela), deixaria o sovaco cabeludo, tiraria quinze dias de férias em Itacaré ou Boipeba e processaria a operadora de seu cartão de crédito pela cobrança de juros abusivos. Se tudo isso a fará sentir-se melhor... ela não soube responder ainda, mas, muito categórica, afirmou que, apesar de nem estar aniversariando, nem tampouco carpindo uma TPM desmedida, queria poder enfeitar de flores sua casa inteira e aspirar os ares primaveris desta estação piegas que por hora floresce entre amores-perfeitos, gérberas e lírios brancos... E que, se nada der certo, ela compra um vaso de comigo ninguém pode e leva com duas garrafas de cana pra´quele velho conhecido motel, enche a banheira e termina a noite ouvindo Vicente Celestino no seu mp3 - que iPhone ela deixa para os virginianos ou escorpinianos arrojados!
terça-feira, 21 de setembro de 2010
"Força Estranha"
Pois se a força de Sanção padeceu à malícia de Dalila, no milenar Livro Bíblico, ontem a moça entrou no salão e fez a felicidade da cabeleireira, que, sem pena, pelou-lhe as madeixas e expôs-lhe a nuca.
A moça ordenava, incisiva, que a outra não deixasse rastros da antiga cabeleira. “Cabelos são o atavismo espúrio dos vícios de nossa feminilidade”.... Nesse instante a cabeleireira parou, franziu a testa... E como não atingisse a mensagem posta, continuou a tilintar-lhe a tesoura afiada e precisa.
Findo o processo, a moça olhou-se de frente, dos lados, de costas e, muito satisfeita, lançou num suspiro: "Só para garantir que não vou cair na tentação de deixar o tal fulano me puxar pelos cabelos!"
E saiu, cheia de uma força certamente maior que seu orgulho inegavelmente ferido.
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