Cinco quilos e
meio mais gorda e depois de tentar uns seis regimes descompromissada ou
descaradamente mesmo, resolveu, meio como que sem querer, adaptar-se à nova
figura mais rechonchuda. Os anéis do dedo anelar agora só cabiam no mindinho, o
que tornava inúteis as antigas alianças de compromisso. E que mal havia afinal,
se eram velhas alianças de ex-compromissos? Melhor que não coubessem mais em
dedo nenhum mesmo!
Agora era
esquecer as roupas apertadas e desfilar o novo look sem restrições... uma espécie de abuse-se sem moderações. A ordem do dia era ser gordinha e feliz! Embora
decerto esta felicidade estivesse sufocada entre a muita malha do camisão XG
que lhe fazia as vezes de mortalha sepulcral. Depois de ouvir um desavergonhado
“ô lá em casa!!!”, tinha de admitir ter ficado mais à vontade no corpanzil
avantajado... Muito embora tivesse a consciência de ser uma moça alta,
de traços harmoniosos que conversavam com a tonalidade da sua pele e a
expressividade dos seus olhos, segundo palavras do personal stylist que, mediante o módico custo de seus honorários,
fê-la ressignificar sua relação coma balança !
E
tava tudo quase certo. Mais umas cinco sessões de terapia e saberia como dialogar
com a enorme e irrefutávelvel saudade da
época em que esperneava e retrucava as cantadas baratas dos machos alfa que
tentavam reduzi-la à condição ínfima de objeto sexual.
Mas enquanto não
atingia esta elevação espiritual, que a deixaria a um passo da felicidade,
abria a geladeira pra pensar. Sim, porque longe de ser um hábito de gordo,
abrir a geladeira para caçar coisinhas geladas é, praticamente um atavismo
existencial da pós-modernidade!
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