A mulher pegou três conduções e sumiu dos nossos olhos, antes que pudéssemos descobrir para onde ia ou de onde vinha. Chovia muito, e, como se já não adiantasse se proteger, entregou-se ao gozo da chuva que se lhe escorria com o rosto. Se houve lágrimas, ninguém viu. E quando ela se lançou em disparada, sabe-se lá pra onde, também ninguém ousaria dizer se de loucura, pressa ou pavor!!! Quando os pacotes que levava foram ao chão, eu apostei no final apoteótico com trilha sonora de Yann Tiersen... A Fada Bêbada disse que era surto psicótico e que os pacotes caíram e a moça não viu.
Se ela voltou para casa, tomou um banho quente e xarope para não gripar, ou ficou girando na porta da entrada com a boca aberta, tentando agarrar gotinhas com a ponta da língua pra fora... não se pode afirmar, afinal, a moça não é uma personagem icólume de histórias de bolso! Mas a Fada Bêbada fica com o xarope e o escalda pés. Eu fico com a crise de espirrinhos bonitinhos que a acometeram pela madrugada a dentro. Porque madrugadas gripadas são tão charmosas... Principalmente quando acompanhadas de doses de whisky para aquecer os pés frios!
A noite está consideravelmente fria, meu nariz está muito entupido e a fada Bêbada está fumando cigarrilhas de canela. Eu acho que a moça continua rodopiando na frente de casa e a Fada Bêbada disse que não quer mais brincar... Então, que se dane a moça e volte para onde surgiu ou vá para onde voltava... Eu vou me recolher porque apesar de nunca querer dormir nem acordar, sempre o faço... e a Fada Bêbada que nunca quer nada, sempre faz tudo. Ela inventa as histórias, eu descubro e conto! A moça...dorme na paz dos anjos ( ou na fúria dos animais).
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